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Educação · Notícia

Congresso do Brasil torna obrigatório o exame Enamed para novas licenças médicas

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Imagem: User:User0704 · Public domain · Wikimedia Commons

Em resumo

O Congresso Nacional do Brasil aprovou, em 15 de outubro de 2026, uma medida que exige que futuros graduados em medicina aprovem no exame nacional Enamed antes de poderem se registrar como médicos. A regra se aplica a estudantes inscritos a partir de 19 de junho de 2026, e estabelece três etapas de exame durante a escola de medicina. O texto agora vai para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sanção.

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O Senado Federal do Brasil aprovou, em 15 de outubro de 2026, um projeto de lei que torna o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) um requisito obrigatório para que graduados em medicina obtenham seu registro profissional, completando a aprovação da medida no Congresso, de acordo com o serviço oficial de notícias do Senado e O Povo.

O texto aprovado, um Projeto de Conversão (PLV), converte a Medida Provisória (MP) nº 1.370/2026 — emitida pelo poder executivo em junho de 2026 — em legislação permanente. A medida agora vai para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sanção, de acordo com o Senado e O Povo.

O que a nova regra exige

De acordo com o texto aprovado, atingir um nível mínimo de proficiência no Enamed se torna uma condição para se registrar junto a um Conselho Regional de Medicina (CRM), o órgão ao qual os médicos devem se filiar para exercer no Brasil, conforme informou o Senado.

O exame é aplicado em três etapas durante o curso de medicina de seis anos, sendo a etapa final ponderada mais pesadamente na pontuação cumulativa, de acordo com a descrição do Senado da versão aprovada:

  1. Fim do 4º semestre (2º ano do curso)
  2. Fim do 8º semestre (4º ano), antes do início do internato clínico
  3. Etapa final ao final do 12º semestre (6º ano), necessária para o registro no CRM

Estudantes que não atingem o nível mínimo de proficiência na etapa final podem fazer a prova novamente em ciclos de testes posteriores, conforme informaram o Senado e O Povo. Os que ainda fracassarem podem ser inscritos em um novo Registro de Médico Egresso (IEM), que lhes permite participar de pesquisa e atividades científicas, mas os impede de cuidados ao paciente ou outras funções exclusivas de médicos licenciados, de acordo com O Povo.

A regra se aplica apenas a estudantes que se inscreveram em um curso de medicina a partir de 19 de junho de 2026 — a data em que a medida provisória foi publicada — em diante. Estudantes já inscritos antes dessa data, e médicos cujos diplomas já foram reconhecidos no Brasil, mantêm as regras anteriores, conforme o Senado e O Povo.

Para médicos formados no exterior, a etapa final do Enamed substituirá o componente teórico da Revalida, o exame existente para diplomas estrangeiros, conforme informou O Povo. Candidatos que já haviam aprovado a primeira etapa da Revalida até 19 de junho de 2026 estão isentos do novo requisito, de acordo com o serviço de notícias do Senado.

Por que os legisladores agiram agora

A medida provisória foi emitida em junho de 2026 após resultados pobres em uma edição inicial do exame mostrarem várias escolas com médias de pontuação de falha, levando o governo a intervir, conforme informou O Povo.

O relator do projeto na Câmara, Deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), descreveu a medida como uma espécie de 'OAB da Medicina' — uma referência ao exame de ordem que os advogados brasileiros devem passar — destinada a conter o que ele chamou de uma 'epidemia' de novos cursos médicos abrindo por todo o país, conforme informou a CNN Brasil. Luizinho disse que sob as regras atuais, nenhum curso médico havia sido fechado devido a desafios legais apesar da supervisão do Ministério da Educação.

De acordo com o serviço oficial de notícias do Senado, o número de cursos médicos oferecidos no Brasil cresceu de 181 em 2010 para 467 em 2024 — um aumento de 158% — com instituições privadas representando 73,3% da matrícula em 2024. O Povo informou que essa expansão, especialmente no setor privado, não foi acompanhada por resultados satisfatórios de exame.

Crescimento de cursos médicos no Brasil, 2010–2024
IndicadorNúmeroAno
Número de cursos médicos1812010
Número de cursos médicos4672024
Aumento no número de cursos+158%2010–2024
Participação de matrícula em instituições privadas73,3%2024

De acordo com o projeto aprovado, o Ministério da Educação ganha autoridade expandida para monitorear escolas de medicina com base nas taxas de aprovação de Enamed de seus estudantes e para abrir procedimentos de supervisão contra instituições com baixo desempenho, de acordo com O Povo e CNN Brasil. As escolas devem publicar resultados de suas três edições de exame mais recentes, e os dados devem permanecer publicamente disponíveis por pelo menos dez anos, conforme informou O Povo.

A lei também cria uma Comissão Nacional para Avaliação da Educação Médica com oito membros — quatro do Conselho Federal de Medicina (CFM), dois do Ministério da Educação e dois do Ministério da Saúde — com liderança anual rotativa, conforme O Povo. Escolas de medicina também devem direcionar até 2% da receita líquida para apoio ao sistema público de saúde do Brasil (SUS), em forma financeira, assistência, estrutural, educacional ou científica, conforme informou O Povo.

Oposição no Congresso

A medida não passou sem discordância. O Senador Alan Rick objetou que médicos formados no exterior ainda enfrentariam uma etapa de exame prático sob Revalida enquanto graduados brasileiros fazem apenas o Enamed, chamando-o de uma regra não igualitária, de acordo com o serviço de notícias do Senado.

O Senador Astronauta Marcos Pontes chamou a medida de 'ilógica, inoportuna e incorreta', objetando que o poder executivo contornasse o debate legislativo em andamento sobre a questão, conforme informou o Senado. Pontes, Alan Rick e a Deputada Bia Kicis votaram contra a proposta.

Não dá para julgar um aluno da faculdade de medicina que fez o curso no Brasil... com um aluno que fez um curso fora

— Deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), relator do projeto, defendendo tratamento separado para médicos formados no exterior, conforme o serviço de notícias do Senado

Hiran Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina, apoiou a estrutura do exame, argumentando que um teste teórico idêntico para ambos os grupos de graduados garante critérios de avaliação iguais, conforme informou o Senado.

O que vem a seguir

Com a aprovação do Senado em 15 de outubro de 2026, o Congresso completou sua revisão do texto, que agora vai para o Presidente Lula para sanção, conforme o Senado e O Povo. A medida provisória subjacente estava definida para perder validade em 16 de outubro de 2026, razão pela qual a votação foi tratada como urgente, conforme informou o Senado.

Perguntas

O que é o exame Enamed?
Enamed significa Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, um exame nacional que avalia a formação de estudantes de medicina durante seu curso. De acordo com o novo projeto de lei aprovado, aprovação na etapa final se torna um requisito para se registrar como médico em um Conselho Regional de Medicina (CRM), conforme o serviço de notícias do Senado.
Quem tem que fazer este exame obrigatório?
Se aplica a estudantes que se inscreveram em um curso de medicina a partir de 19 de junho de 2026 em diante. Estudantes já inscritos antes dessa data, e médicos cujos diplomas já foram reconhecidos no Brasil, não estão sujeitos ao novo requisito, conforme o Senado e O Povo.
O que acontece se um estudante não passar na etapa final do Enamed?
Estudantes que não atingem o nível mínimo de proficiência podem fazer novamente a etapa final em ciclos de testes posteriores. Os que continuam a falhar podem ser colocados em um Registro de Médico Egresso que permite trabalho de pesquisa ou científico, mas não cuidados ao paciente, de acordo com O Povo.
A lei entrou em vigor?
Em 15 de outubro de 2026, o Congresso havia aprovado o texto, mas ainda precisava da assinatura do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser sancionado como lei, de acordo com o Senado e O Povo.
Por que o Brasil introduziu esse requisito de exame agora?
A medida provisória foi emitida após uma edição inicial do exame mostrar várias escolas de medicina com médias de pontuação de falha, conforme informou O Povo. Legisladores também citaram um aumento acentuado no número de cursos médicos — aumento de 158% entre 2010 e 2024, conforme o serviço oficial de notícias do Senado — como parte da justificativa.

Como o mundo está contando

Fontes

  1. Senado Notícias — Comissão mista aprova MP que exige exame para exercício da medicina
  2. O Povo — Enamed: Senado aprova MP que torna exame obrigatório para exercer medicina
  3. CNN Brasil — Relator defende 'OAB da Medicina' para conter epidemia de cursos

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